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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

SAÚDE: SECRETARIA DE SAÚDE INVESTE EM INCLUSÃO DE SERVIDORES COM DEFICIÊNCIA




Criado há três anos, Núcleo de Inclusão e Acessibilidade acompanha funcionários desde a contratação e promove, por exemplo, adaptações no local de trabalho

Na fila de pacientes que se forma diariamente na porta do consultório do clínico-geral José Alberes, no Centro de Saúde 01 de Sobradinho, sobram elogios ao trabalho do profissional de 52 anos, que tem distrofia muscular e integra o quadro de servidores com deficiência da Secretaria de Saúde do DF.

Entre os colegas de trabalho, o mesmo reconhecimento: "ele é, pra mim, um pai, um médico excelente e um grande amigo", contou a técnica de enfermagem Valderice Dantas, responsável por auxiliá-lo no consultório e ajudá-lo a pegar o andador utilizado para caminhar.

Para atender servidores como Alberes, foi criado há três anos o Núcleo de Inclusão e Acessibilidade, que, aos poucos, tem conseguido promover o melhor aproveitamento profissional de todas as pessoas com deficiência na rede pública de saúde.

A unidade agora é responsável por concentrar todas as perícias dos novos contratados e também por conduzir os processos de mudança de local de trabalho, de adaptação ergonômica (mobiliário e objetos de trabalho) ou de redução de até 20% da carga horária – direitos garantidos aos deficientes no serviço público.

Sob o comando da psicóloga Andrea Chaves, servidora que tem visão monocular, o setor providenciará, até o próximo ano, um levantamento demográfico para identificar todos os trabalhadores da pasta que possuem alguma deficiência.

Em um cadastro preliminar, foram registrados 353 trabalhadores com alguma deficiência: a maioria deficiente físico (154), seguida por deficientes auditivos (97), pessoas com deficiência visual (88), múltipla (13) e mental (1).

"Existe uma diferença entre inserção e inclusão", ponderou Chaves. "O servidor com deficiência não pode ser tratado de forma diferente, precisa apenas de condições acessíveis para desenvolver o mesmo trabalho", acrescentou.

Ela explicou que um médico cadeirante, por exemplo, não consegue ser socorrista porque só tem movimentos dos membros superiores, mas consegue ser um médico de ambulatório, de saúde primária, sem prejuízo, se comparado a um profissional sem deficiência.

Segundo a psicóloga, o total de médicos, enfermeiros, auxiliares e servidores administrativos com alguma limitação física ou mental é, certamente, maior, mas que os números preliminares servem de amostra enquanto o levantamento completo não é realizado.

Desde 2011, a Secretaria de Saúde reserva para deficientes físicos 20% das vagas de todos os concursos públicos- tanto para contratações efetivas quanto para as temporárias-, em cumprimento à nova legislação.


ADAPTAÇÃO- Mas há servidores com deficiência nos quadros da pasta há muito mais tempo, como o clínico geral José Alberes, que está na rede pública desde 1994 e, com pequenas adaptações, consegue desempenhar sua função com facilidade.

Por causa da distrofia muscular, o alagoano de Canapi- município a 250 quilômetros da capital, Maceió- tem dificuldade de se manter em pé sozinho e caminha com auxílio de andador, "ou cadeira de rodas em alguns casos", segundo ele mesmo diz.

No local de trabalho, foi preciso apenas a instalação de uma rampa com corrimão na sua vaga no estacionamento. "No consultório preciso apenas de ajuda do pessoal (enfermeiros) para colocar o paciente na maca e levantar para examiná-lo", acrescentou o médico.

A chefe do Núcleo de Inclusão e Acessibilidade reconheceu que os deficientes físicos têm mais facilidade para serem incluídos. "A deficiência física é mais fácil para viver na sociedade, porque necessita de adaptação arquitetônica e não comportamental", avaliou Andrea Chaves.

"No caso das outras deficiências, depende-se do outro. Depende do outro querer interagir com o surdo, facilitar a vida de um cego, ou aceitar uma pessoa com deficiência intelectual. Na parte de acessibilidade comportamental, ainda há uma grande barreira que a gente precisa transpor", finalizou.

Fonte  Helton Oliveira, da Agência Brasília/fotos Brito


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