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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

SOBRADINHO PRESERVA CULTURAS DO BRASIL


Principal festejo é em memória à tradição secular do Bumba meu boi



Sobradinho preserva há mais de meio século uma das principais riquezas da cultura maranhense: a tradição secular do Bumba meu boi. A história, que começou na cidade com a chegada de Teodoro Freire na década de 60, tem continuidade até hoje no Centro de Tradições Populares.

No local, o filho do nordestino, Guarapiranga Freire, conhecido como "Guará", organiza os ensaios do grupo que reúne cerca de 120 atores, a maioria do Maranhão, sendo 80 para as apresentações do Bumba meu boi, e 40 para o Tambor de Crioula.

"Esses dois espetáculos são um casamento. Quase todas as vezes que apresentamos o Bumba meu boi também fazemos o Tambor de Crioula. A primeira dança é folclórica e existe desde o século 18, enquanto a segunda representa a cultura afro-brasileira, encontrada em vários estados do país", destacou Guará.

Ele lembra que a dança do Bumba meu boi é misturada ao teatro para falar sobre o Pai Chico, um trabalhador da fazenda que rouba um boi para satisfazer sua mulher grávida, Catarina, que sente um forte desejo de comer a língua do animal.

O boi, que foge, é encontrado doente pelos empregados do fazendeiro e, com a ajuda de um pajé, é curado. "Nós também contamos essa história em escolas públicas, eventos e até em outras cidades. Nosso objetivo é dar continuidade ao trabalho iniciado pelo meu pai, que lutou para conseguir trazer a cultura maranhense", complementou Freire.

Segundo ele, para as apresentações o grupo faz um trabalho preparatório, que inclui ensaios e contratação de costureiras e bordadeiras para produzir os trajes. O trabalho começa em janeiro e tem seu ápice em junho, com apresentação do espetáculo na 'Grande Festa de São João', realizado no próprio espaço do Centro de Tradições Populares.

Maria da Conceição Tavares de Oliveira, 60 anos, faz parte do grupo e conta que participa das apresentações desde os 25 anos de idade. "Já atuei como Catarina, vaqueira e chapéu de fita. Venho a todos os ensaios, porque aqui resgato um pouco do ambiente que tinha lá no Maranhão", disse.

Outro integrante e também maranhense, José Everaldo Ferreira, 33 anos, destacou que, em sua opinião, a principal marca de Sobradinho é contar a história folclórica de seu estado.

"E nós temos que respeitar esse trabalho, iniciado pelo seu Teodoro, que veio para Brasília embaixo de sol e chuva e lutou para dar continuidade à cultura do nosso estado", contou, ao destacar que Teodoro morreu aos 91 anos, em fevereiro de 2012.

CIDADE CULTURAL – Além de preservar a cultura folclórica, Sobradinho possui outras marcas artísticas. Uma delas se refere à Casa do Ribeirão, que funciona onde antes era um viveiro da Novacap e hoje recebe exposições, apresentações e grupos para discutir cultura.

No local, a comunidade, professores e estudantes participam de um curso sobre educação patrimonial e imaterial, idealizado pelo artista plástico e professor, José Ivacy de Souza. "Sobradinho é conhecido como cidade da arte. Nós queremos despertar um olhar diferente nas pessoas, que devem aprender a ter uma percepção diferente do ambiente que temos", destacou Souza.

Segundo ele, os alunos do curso farão um inventário do patrimônio material e imaterial da cidade. O trabalho será executado com o apoio do Arquivo Público do DF, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Coordenação de Diversidade, da Secretaria de Educação, e Casa do Ribeirão.

Outro forte de Sobradinho são as bandas musicais locais, que somam cerca de 70, sendo 50 de rock, segundo levantamento do Fórum de Rock da cidade, que surgiu em 2012.

O grupo, formado por jovens da cidade e por artistas locais, tem como objetivo dar apoio à produção independente dos artistas e conjuntos musicais. Um dos artistas, que faz parte da banda 'Função Inversa', é Andrew Wallace Souza, 20 anos.

O estudante de filosofia, que toca baixo e violão, ressalta que a cultura é a principal marca da região administrativa. "Nos apresentamos em escolas e locais públicos, mas queremos ampliar nosso trabalho", disse.


Fonte:  Ailane Silva, da Agência Brasília/Foto:Mary Leal

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