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segunda-feira, 10 de março de 2014

Programas sociais do DF ajudam jovens carentes a chegarem à universidade



Estudantes recebem auxílio financeiro e participam de cursos de profissionalização

Muito mais que promover a garantia de direitos e o acesso a programas, o Serviço Social do Distrito Federal tem colaborado para a descoberta de vocações. Esse é o caso da estudante Linidelly Rocha Mendes, 20 anos, que iniciou um curso universitário a partir do acompanhamento feito pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras) da Candangolândia.


A família da estudante, que é de baixa renda, sempre teve o apoio de programas sociais, como, por exemplo,o "Bolsa Família". Além disso, ela participou do "Jovem do Futuro", entre 2011 e 2012, o que, segundo ela, fez toda a diferença em sua vida. Com essa iniciativa, ela conseguiu ter formação suficiente para passar para o curso de serviço social da Universidade de Brasília (UnB).

"Quando fazia o 'Jovem do Futuro' recebia bolsa de R$ 200 por mês, e três vezes por semana tínhamos atividades. Nisso, tive acompanhamento principalmente na parte de redação e consegui passar na UnB", detalhou a universitária.

Primeira da família a cursar o ensino superior, Linidelly, hoje no 5º semestre do curso –de um total de nove-, lembra que, de início, não fazia ideia do que se tratava o serviço social. A escolha por essa graduação, à época do ingresso na faculdade, foi uma indicação da educadora social do Cras.

"O serviço social é pouco conhecido e muitos falam que é caridade. É, na verdade, a viabilização de direitos.  A sociedade é pouco informada e muitas vezes não sabe que existem muitos direitos garantidos e que são violados. Se não fosse o Cras, provavelmente eu não estaria nesta vida. Agora, quero passar em um concurso e trabalhar também em um Cras para ajudar os outros", planeja a estudante.

OPORTUNIDADE E REALIZAÇÃO – Membro de uma família de baixa renda da Fercal, o estudante Ronaldy da Silva Melo é a prova de que é possível cursar uma graduação mesmo com as condições financeiras não tão favoráveis.

Auxiliado pelos profissionais do Centro de Convivência e Fortalecimento de Vínculos de Sobradinho, o jovem, aos 17 anos, conseguiu entrar em uma universidade particular do Distrito Federal.

"Sempre estudei em escola pública e agora consegui entrar em uma universidade particular. Estou fazendo engenharia civil, as aulas começaram no último mês e estou achando o curso muito bom. É até mais do que eu esperava", avaliou o universitário.

O sucesso alcançado pelo estudante faz parte de um esforço que começou a ser feito, em 2011, quando ele passou a ser assistido pelo programa de capacitação "Projovem", ocasião em que fazia oficinas e recebia bolsa mensal de R$ 200.

Durante essa profissionalização, conforme contou a chefe de Serviço do Centro, Josilene da Fonseca, foi feita a orientação de Ronaldy para que ele buscasse mais qualificação. Uma das alternativas encontradas foi o ensino superior.

"É muito importante que as pessoas façam curso superior e busquem sempre uma qualificação, e por isso o incentivamos. Para nós, ver um exemplo como esse, é muito gratificante. É o resultado do nosso serviço que está aparecendo e isso é como se fosse uma promoção. Casos como esses mostram a eficácia do serviço social do GDF", destacou a servidora.

A partir do momento em que decidiu fazer faculdade Ronaldy prestou vestibular, mas ficou em dúvida entre educação física e engenharia civil. O que o fez decidir pelo segundo curso foi a paixão pela matemática e outras ciências exatas.

Aprovado, ele voltou ao Centro e utilizou a estrutura de informática para fazer a inscrição no "Fundo de Financiamento Estudantil" (Fies), programa do governo federal que financia, a juros baixos, as mensalidades de cursos superiores. Nesse caso, o pagamento do crédito é feito somente após a conclusão da graduação.

"Cheguei a fazer o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) no último ano e não consegui nota suficiente para uma bolsa. Então, busquei o Fies. Se não fosse essa ajuda, hoje eu não estaria na faculdade. É impossível pagar uma mensalidade de mais de mil reais. Estou muito feliz", acrescentou o estudante.

A felicidade sentida por Ronaldy é a mesma compartilhada pela mãe, Maria Cordeiro da Conceição Medeiros, 42 anos, que diante do exemplo do filho, único a cursar o ensino superior na família, voltou a estudar e está cursando o 3º ano do ensino médio em uma escola pública da Fercal.

"Me sinto muito feliz e tê-lo na faculdade era tudo o que eu queria. Vim para Brasília há 25 anos, sempre trabalhei em casa de família e isso (a entrada na universidade) para nós é uma realização. Depois de formado, com fé em Deus, as condições da nossa família vão mudar", concluiu a dona de casa que também é mãe de um rapaz de 22 anos.


Fonte  Fábio Magalhães, da Agência Brasília/ Fotos Mariana Raphael

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