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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Educadores do DF querem núcleo da educação ambiental







A volta do núcleo será reivindicada ao governador por meio de um abaixo-assinado resultante do IX Encontro de Educadores Ambientais do DF – Semeando o Bioma Cerrado realizado nessa sexta-feira

O IX Encontro de Educadores Ambientais do DF – Semeando o Bioma Cerrado mostrou evolução em relação ao realizado no ano passado. A avaliação é da ex-diretora da Escola da Natureza, Lêda Bhadra Bevilacqua, que considerou o compromisso de gestores públicos com o atendimento das demandas do encontro de 2014 como um passo importante para o cumprimento da Lei de Educação Ambiental. Neste contexto, o tópico mais urgente na visão dos organizadores do evento é a manutenção do núcleo da educação ambiental na Secretaria de Educação do Distrito Federal. Um abaixo-assinado com esta solicitação foi sugerido durante a programação que se desenvolveu na última sexta-feira (6) no espaço Cerratenses do Jardim Botânico de Brasília e já conta com assinatura dos quase 150 educadores ambientais presentes. Os participantes vão entregar este documento ao governador Rodrigo Rollemberg.

O Encontro deste ano foi realizado pelo projeto Semeando o Bioma Cerrado, pertencente à Rede de Sementes do Cerrado, pela Escola da Natureza, pela Associação dos Amigos da Floresta (AAF) com apoio da Área de Educação Ambiental e Ecologia Humana da Faculdade de Educação da UnB e do Eco Museu do Cerrado - Laís Aderne e com patrocínio da Petrobras.

Revendo hábitos - Na avaliação do coordenador do Semeando o Bioma Cerrado, Rozalvo Andrigueto, o Encontro deste ano coroou o projeto no que se relaciona à educação ambiental. Nos últimos dois anos, docentes e alunos da cidade e das zonas rurais foram sensibilizados para a questão ambiental e a necessidade de cultivar hábitos adequados para a preservação do planeta. “Desde o início, entendemos que não seria possível estimular os elos da cadeia produtiva, objetivo do Projeto, sem trabalharmos de forma sistêmica a educação ambiental como força impulsionadora e capaz de desencadear ações de preservação”, reiterou.

De acordo com Andrigueto, no que se refere à educação ambiental, nas áreas de abrangência do projeto, nos dois últimos anos, foram realizadas cinco oficinas especiais com professores, com trocas de saberes e fazeres entre 234 docentes. Foram também realizadas 18 oficinas e educação ambiental em escolas rurais e urbanas, nas quais 2.386 crianças e jovens, apoiados na ecopedagogia estabeleceram relações efetivas com a necessidade de preservação do planeta Terra com ética e atenção aos valores. Com base no alcance e nos resultados do Projeto, o coordenador defende a reivindicação dos educadores pela manutenção do núcleo da educação ambiental no programa educacional do Distrito Federal.

Sair na frente - A reivindicação dos educadores vai também ao encontro da opinião do secretário do Trabalho, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do DF, Joe Valle. Ele entende que “Brasília, como capital do País, tem a obrigação de sair na frente e ser exemplo de quem sabe colocar a questão ambiental nos currículos e criar escolas sustentáveis". Quando trabalhamos a educação ambiental de forma transversal, muitas situações se resolvem em outras áreas como a saúde, cita o secretário ao comentar que a abrangência de tão ampla perde a relevância, mas os governos precisam estar atentos a esses impactos. Ele conta sobre uma escola do Gama (DF) que está fazendo a experiência de reutilizar coleta de água desperdiçada dos bebedouros para irrigar um pomar.

O diretor executivo do Jardim Botânico de Brasília, Jeanitto Gentilini Filho, destacou que o espaço para educação ambiental de que dispõe ainda é subaproveitado e ampliar a presença da comunidade com este propósito é uma vontade constante de sua gestão. “O JBB é um museu vivo. São cinco mil hectares, onde há estrutura, segurança e pesquisa à disposição da sociedade", frisou.

Para Bhadra, além da manutenção do núcleo de educação ambiental, também é urgente para Brasília que o GDF se mobilize no sentido de concretizar a implantação de escolas da natureza nos parques do Distrito Federal, pelo menos nos 14 que têm regionais de ensino. O Distrito Federal possui 73 parques públicos.

Ecologia na prática - Com o objetivo de proporcionar uma troca de saberes entre educadores, o programa do Encontro deste ano reservou a tarde para a apresentação de experiências que vêm mostrando, como destacou a professora doutora Rosângela de Azevedo Corrêa, coordenadora do programa Educação Ambiental nas Escolas Públicas do DF, que é possível trabalhar a educação ambiental numa perspectiva transversal e interdisciplinar com projetos que envolvam todos os atores da escola e sensibilizar estudantes para as causas ambientais.

Com o método de alfabetização ecológica ABCERRADO e a Matemática, o professor Paulo Pereira aplica técnica de educação ambiental na Escola Classe Córrego do Meio, em Planaltina (DF), relacionando a alfabetização e a matemática a elementos do Cerrado desde 1999. Os primeiros alunos já estão na faculdade e o citam como referência. Na escola CEF Polivalente, da 913 Sul, em Brasília, o professor Elmar Rocha Paulin, relaciona, na prática de construção de viveiros de plantas nativas do bioma, o ensino de matemática com cálculos e canteiros em formato de figuras geométricas. Já os estudantes Laura Dorneles, João Luiz Bendito Lapa e Leonardo Augusto Gonçalves, do 2o e 3o ano do CEAN da 606 Norte, apresentaram o projeto "A escola que temos, a escola que queremos". Os alunos promovem gincanas com temática ambiental, implantam tecnologias sustentáveis na escola e estão cultivando uma horta com a proposta de elaborar lanches vegetarianos para os colegas. Para os professores, estas iniciativas confirmam que “a semente brotou”.

Trilhas educativas - Para incentivar e manter a educação ambiental presente no ensino de diferentes disciplinas, o IX Encontro de Educadores Ambientais do DF entregou aos participantes um roteiro de ações para a introdução e educação ambiental em escolas e comunidades com orientações e detalhamento de como elaborar atividades. O livro "Educando pelas trilhas do Cerrado" tem especialmente dois pontos de sustentação: conhecer o lugar em que vivemos para respeitá-lo e usar com cuidado o que a natureza oferece.

Conforme a presidente da Associação dos Amigos da Floresta, Mery-Lucy Souza, uma das organizadoras do livro, “com orientações de ecopedagogia, são apresentadas sugestões de atividades e abordagens das disciplinas com o intuito de levar o aluno a sentir-se pertencente do local em que vive, engajado e participativo na defesa deste ambiente”.

Elaborado por vários profissionais especializados em educação ambiental, que deram suporte às ações doando seus conhecimentos, o livro foi organizado por Mery-Lucy Souza, Andréia Cassilha Andrigueto e Regina Célia de Souza e pode ser solicitado na Rede de Sementes do Cerrado que também vai disponibilizá-lo para download em versão digital no site http://www.rsc.org.br/.

Mais informações:
Assessoria de imprensa - Semeando o Bioma Cerrado
Contato: Teresa Cristina Machado
E-mail: teresa.machado@atfcomunicacao.com.br
Tel.: 55 (61) 3225 1452 /9983 9395
Escola da Natureza
E-mail: escoladanatureza@gmail.com
Tel.: 55 (61) 3901 7756 / 3901 8137

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