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segunda-feira, 9 de maio de 2016

COLUNA TEXTOS & TEXTOS POR GERALDO LIMA


DO CAMINHAR ALHEIO AO MUNDO EM VOLTA

 

(*) Geraldo Lima

 
O celular facilitou, sem dúvida, a comunicação entre as pessoas. Longe vai o tempo em que tínhamos que enfrentar a fila do orelhão quando, fora de casa, precisávamos dar um telefonema. E eram grandes a ansiedade e a angústia quando, tomados de urgência, víamos alguém enfiando uma dezena de fichas telefônicas no aparelho e demorando uma eternidade num bate-papo descontraído. Hoje a realidade é outra: estando na rua, cada um saca o celular e fala durante o tempo que quiser, – ou que durarem os créditos e a bateria.

 
Só que muitas pessoas, de modo obsessivo, praticamente não largam o telefone celular. O exemplo mais visível dessa nova doença é percebido no hábito de muitas pessoas falarem ao celular enquanto andam. E como falam! Penso que, às vezes, nem falam: fingem falar com alguém.  Seria, em boa parte dos casos, uma maneira de a pessoa evitar o contato com os semelhantes. Uma tática para evitar que alguém se aproxime dela e puxe conversa. Nesse caso, o celular serviria não para estabelecer e facilitar a comunicação entre os indivíduos, mas sim para evitá-la.
 

Falamos, aqui, de um hábito que já se enraíza na nossa cultura urbana. Um hábito que se origina no surgimento de uma nova tecnologia que alterou, de forma significativa, nossa relação com o espaço e o tempo. Que fez com que o futuro (visto em parte só nos filmes de ficção científica) chegasse mais rápido ao presente. E essa nova cultura funda, indubitavelmente, um novo modo de se estar no mundo: um ficar alheio, durante horas a fio, ao que acontece ao redor.
 

(*) Geraldo Lima é escritor, dramaturgo, roteirista e colabora com o Jornal de Sobradinho - edição Nº 298 referente a primeira quinzena de Maio de 2016.

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