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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

ARTIGO


O TEATRO DO ABSURDO
 
 
 
 (*) Henrique Matthiesen
Contemporaneamente, o Brasil vive uma de suas laudas mais deprimentes. A onda conservadora, acompanhada de golpes e contragolpes, dão o tom de tempos sombrios em que coexistimos.

Pautas rejeitadas por quatro (04) eleições presidenciais consecutivas são hoje adotadas de forma desavergonhada pelo governo desprovido de legitimidade e de votos que é o de Temer.

O Brasil está à venda, ou melhor, está em liquidação total, onde empresas símbolos de nosso desenvolvimento e garantidoras de nosso futuro estão sendo entregues ao preço de bananas, assim como as regras democráticas foram violadas.

Conceitos antes superados e de deprimente lembrança voltam de forma cafona e perigosa.

Marchávamos com a “Família com Deus” pela liberdade, hoje seguimos o modelo “bela, recatada e do lar”, e o discurso do mau-caratismo do comunismo, antes impetrado contra Jango, hoje é ouvido contra as forças progressistas.

Conselhos antes escusados do FMI voltam a ser docilmente professados pelo nosso complexo subserviente dos locatários do poder, onde não somos mais donos do nosso destino afinal, a sina de ficarmos de joelhos para estes órgãos volta à cena.

Retornamos a mentalidade provinciana. Não compreendem que o Brasil Real não cabe, nem jamais aceitou uma mentalidade tola, mesquinha e predatória de sua elite e sua classe média desculturada e escravocrata.

No Brasil, não bestializado, há arte, pensamento, ciência, compromisso democrático, luta social, cultivo à memória e da história. Neste Brasil combativo se faz cinema, música, literatura, ciência, filosofia, e senso crítico. Não aceita a castração vassala das elites. É o Brasil que resiste.

Atônitos, assistimos honorários bandidos transvestidos de pudicas éticas, e moralmente irretocáveis, pois exceção da hipocrisia virou regra do cinismo.

Instituições acovardadas, ideologizadas e despossuídas de seu desígnio capital, associam-se as desconstruções de nossas garantias constitucionais e ao desmonte do Estado Brasileiro.

Direitos são suprimidos, opressões são cometidas, crimes são praticados, descomposturas são aceitáveis, e as varadas gourmets ficam em receosos silêncios.

Um verdadeiro teatro de horrores e retrocesso domina o Brasil.

Inúmeros programas de inclusão social foram suspensos, como construção do “Minha Casa Minha Vida”, vagas do PRONATEC e do FIES, acabou-se com a CGU (Controladoria Geral da União), com o “Ciências sem Fronteiras”, dentre outras ações da consolidação golpista.

Ministros citados em delações premiadas na república de Curitiba são nomeados livremente com a benevolência do Judiciário - antes tão ativo -, e cargos são distribuídos junto a velha prática do promíscuo e do vale tudo, é largamente adotada.

A agenda neoliberal é agora o plano do governo, enquanto o monopólio midiático é abastecido com milhões e milhões de reais para continuarem apoiar esses feitos retrógrados.

Bem-vindos ao espetáculo deprimente do desgoverno de Temer.
          Esse é o Brasil do século XXI.

(*) Por Henrique Matthiesen , Advogado, Escritor e colabora com o Jornal de Sobradinho

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