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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

ARTIGO


No Simples, está o Belo!

 
(*) Olavo da Silva Aguiar.

A simplicidade pode ser o melhor caminho para atingir a mais alta riqueza de espírito. Dia desses convidei meu amigo Sena para pescar, e lá se fomos. Seis horas de viagem. Em lá chegando, qual não foi nossa surpresa, no dito ribeirão havia apenas alguns poços quase secando e os últimos lambaris estavam sendo devorados por tuiuiús, garças, socós, mergulhões, Martinho pescador e tantas outras aves que enriquecem o cardápio com peixe. Nota: (O tuiuiú é considerado a ave símbolo do Pantanal, a maior ave voadora do Brasil, mede até 1,60 metros de altura e até 3 metros de envergadura, de uma a outra ponta da asa.) Já era final do dia e para que a viagem de volta não se tornasse cansativa, resolvemos deixar para o dia seguinte. Do lado oposto do ribeirão avistamos uma casa e para lá nos dirigimos. Uma casa bastante humilde bem simples e o morador também. Coberta de sapé com apenas um quarto, as paredes de taipa. Uma casa bem pequena e bastante deteriorada pela ação do tempo. O dono da casa o Senhor Sebastião. (Tião Mandubé como é conhecido na região.) Nos recebeu como se fossemos seus amigos, com uma alegria radiante e, imediatamente nos franqueou para ali pousarmos. Entre uma e outra palavra, uma gargalhada vinda da alma. Qual a razão do apelido? No tempo da cheia do ribeirão sempre pesco alguns mandis mandubé. Mas eu não me importo não, pois mandubé é peixe gostoso emendou. A essas alturas Dona Franquilina, a Lina para os íntimos, já atiçava o fogo nas trempes providenciando o jantar, que mais parecia um banquete, arroz, feijão, e mandioca frita. Um sabor completamente diferente, perguntei a razão do sabor da comida: Nóis aqui não usa óleo cumprado, só banha de porco, explicou Dona Lina. Atamos nossas redes e aí rolou a conversa, Tião nos contava a coragem dos matadores de onça no passado, não usavam arma de fogo e sim a zagaia. Ou seja, enfrentavam a bicha cara a cara. A noite era de lua cheia, o brilho da lua mais parecia um presente de Deus. Abrimos um parêntese para fazermos uma pergunta indiscreta ao Senhor Tião. Perguntei-lhe se sabia o que era estresse e depressão. Sei não Sinhô, eu já vi dizê que essas doença e dos povo da Cidade, ainda não chegô por aqui. Nem vai chegar é claro. A essa altura bateu o sono e ali dormimos ao som do canto da cauã e da mãe da lua, que se houve a quilômetros de distância. Os sapos regiam o grande coral. Às 5 horas da manhã, estávamos de pé ouvindo o canto de uma infinidade de pássaros, como que agradecendo pela noite de paz. Vidas pequeninas alentando nossas vidas. Uma verdadeira magia, ver o amanhecer em plena natureza. Mais uma manhã na história do mundo. O profeta Isaías orou assim: Obrigado Senhor, porque tu as fizestes novas todas as manhãs. O importante é que ali não se falou de crise ou que a vida tá difícil. Final da história: não trouxemos um só lambari, mas ali tivemos uma lição de vida e plena certeza que, no simples está o belo.

(*) Por Olavo da Silva Aguiar – Pioneiro, Fundador da ACIS – Associação Comercial e Industrial de Sobradinho e Colaborador do Jornal de Sobradinho – Edição nº 310 referente a primeira quinzena de Novembro de 2016.

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