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quarta-feira, 8 de março de 2017

ARTIGO


Hoje é o Tempo de Ser Feliz!

(*) Ilcilene Fonseca
Anos atrás tive o imenso prazer de conhecer Três Corações – uma cativante cidade interiorana de Minas Gerais. A Adriana Miranda, uma amiga minha, morava aqui em Sobradinho, mas é lá de Três Corações. Ela me convidou - não necessariamente para admirar as belezas e paisagens que a singela cidade ostenta – e sim pra dar um caloroso abraço no tio Sebastian. Ui, ui! Chique, né?

O poeta e contista Sebastião Maciel (1915-2004) era o queridinho de Três Corações. Lá na comunidade tricordiana muitos o conheciam como Tião – o Barão de Três Corações. Eu até então não o conhecia pessoalmente, mas estava convicta de que se não fizesse a viagem pra Minas Gerais naquela época, juntamente com alguns amigos meus, eu poderia estar dizendo não à oportunidade única de demonstrar o quanto o tio Sebastian era especial pra mim.

Eu não sabia ao certo se ele continuaria a viver por apenas mais um mês, ou mesmo uma única semana. A Adriana solicitou que eu realizasse uma grande proeza: Enviar o meu poema A Criança e o Poeta pro fofo! Alguns dias depois, recebi um telegrama e em seguida uma linda carta. O poeta disse, entre outras coisas, o seguinte:

Poeta - Sebastião Maciel
 
“Três Corações, 25 de agosto de 2003

Prezadíssima e respeitável poetisa Ilcilene:

Seu poema é lindíssimo, como também é a sua mensagem de evangelização! Gostaria que soubesse que não foi descaso de minha parte demorar para escrever-lhe. Tive complicações na saúde, o que me impossibilitou de retribuir o seu afeto.

Perdoe-me, seu lindo poema deixou-me sinceramente comovido! Mesmo longe da primazia de ilustres escritores e poetas como você, dedico-lhe dois poemas de minha autoria: Quisera Ser um Luzeiro e Poema de um Consternado.

Envio-lhe uma reportagem a mim dedicada no Jornal Três Corações e no Jornal Sul de Minas. (Senhor Sebastião Maciel  - 80 Anos de Bondade). Envio-lhe também a minha horrível fotografia.

Um abraço!

Respeitosamente,

Sebastião Maciel.”

O então Senador da República, o Sr. José Roberto Arruda, sobrinho do Sebastião Maciel, foi a Três Corações pra abraçar o tio aniversariante. Por ocasião do dia 23 de julho de 1995 foi celebrada uma missa na igreja de Santa Tereza em homenagem aos “80 anos de bondade”do poeta querido.

Sabe, após aquela viagem em 2003, retornei pra minha casa, feliz, na certeza de que eu havia contribuído pra que alguém, diante do término dos seus anos, celebrasse a vida e admirasse o mundo ao seu redor. Foi uma experiência extraordinária pra mim!

Ele era um gentleman e nos convidou pra almoçar em um simpático restaurante italiano. Os funcionários do “Cantina Calabreza” o chamavam de tio Sebastian. Hoje ele não se encontra mais em nosso meio. O saudoso tio Sebastian viveu 88 anos enriquecendo aos outros, e mesmo em meio às complexidades cotidianas, contribuiu pra que os seus semelhantes enxergassem a poesia da vida. Seu estilo nobre e cativante tinha uma pegada super Vinicius de Moraes. Ai, ai, ai! E por falar em poesia, eis o poema que o fofo me enviou com tanto carinho:

“Poema de um Consternado

Lá na constelação

Uma estrela te ilumina

Palpita um coração...

É alguém pensando

Em você, menina.

 

Sorriso de moça faceira

Cabelos longos, cacheados

Num chapéu de camponesa

Encantando corações amados...

 

Face alegre, juvenil

Olhos de brilho sutil

Exala com grande candura

Perfumes de flores mil.

 

Aqui ao longe, vivo sozinho

A esta distância traiçoeira

Sou como o pássaro sem ninho

Vivendo de qualquer maneira.

 

No descortinar da vida

Ganhei muita inspiração

Das musas, minhas queridas

Nas rimas de linda canção.

 

Os lindos sonhos de criança

De tempos de outrora...

Saudades das moças faceiras

E o despertar da aurora.

 

Já no pícaro da vida

Relembro os desenganos...

Sofrimento sem guarida

Aguardando o término dos anos.”

 

Eu jamais poderia deixar de dar ênfase ao exemplo de alguém que viveu sob a luz de um sábio conselho Paulino: “Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus que disse: Mais bem aventurada coisa é dar do que receber.” – Atos 20:35.

O que realmente importa não é a quantidade de anos que você tem pela frente – e sim como você aproveita cada instante da sua vida. E por falar nisso, como você vai aproveitar o seu próximo minuto? Lembre-se: Se você gastar o seu tempo com coisas que não retornam em bem nunca mais poderá recuperá-lo.

A vida é curta quando vista em retrospecto. E ao olharmos para trás, somos intimados a reavaliar o nosso conceito de felicidade e, no processo, quão surpresos ficamos quando percebemos que passamos a vida colecionando nãos: A viagem que não fizemos, o presente que não demos, a carta que não escrevemos, o abraço que não demos, o encontro ao qual não fomos, o elogio que não fizemos...

E voltando ao versículo 35 de Atos 20, subentendemos que a vida é um espetáculo quando se é pássaro, e não paisagem! Ator, e não platéia! Piloto, e não passageiro! Desbrave a estrada da vida valorizando a arte de ser um servo, porque chique é ser do bem!

Hoje é o tempo de ser feliz! E a felicidade não consiste em que você fique enclausurado em si mesmo. Ser feliz não é estar alheio às complexidades cotidianas, pois os problemas sempre existirão. Ser feliz é aproveitar o seu próximo minuto pra celebrar e brindar a chance de ser um instrumental de coisas boas!

(Conheça o Restaurante Cantina Calabreza: http://hotelcalabreza.com.br/cantina-calabreza/).
 
(*) Por Ilcilene Fonseca - Colaboração para o Blog Jornal de Sobradinho - Fotos: arquivo pessoal
 
 
 
 

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