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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

CIDADE

Quem quer dinheiro? Vai jorrar muito em Sobradinho

Antes um paraíso, a cidade está entregue ao Deus-dará

(*) José Seabra
A frase de Silvio Santos (Quem quer dinheiro?), consagrada nas telinhas das tardes-noites dominicais, encontrou uma pronta resposta no Distrito Federal. O canal auditivo é a Terracap. Os motivos são contados por um ex-diretor daquela estatal de terras, suposto novo desafeto de Júlio Cesar Reis, presidente da empresa.
Desde 1997 – ele conta -, quando foi aprovada a Lei Complementar 56 que criou o Plano Diretor de Sobradinho, o Governo do Distrito Federal alega que a altura dos prédios daquela Região Administrativa não pode ultrapassar a altura de três andares, sob o risco de comprometer o abastecimento de água da cidade. A comunidade protestou, esbravejou, mas a limitação foi mantida.
Em 2009, quando foram realizadas a discussões sobre o Plano Diretor do Ordenamento Territorial, a Secretaria de Gestão do Território enfatizou, em estudos técnicos, que Sobradinho, por estar localizado “em uma região com pouca disponibilidade hídrica de captação superficial (captação direta de córregos) e em franca expansão populacional, principalmente devido ao aumento acentuado de condomínios habitacionais com características urbanas”, impedindo, assim, qualquer mudança.
Porém, mesmo com esta grave limitação imposta por lei, a Terracap, precisando tapar o rombo do seu cofre em um ano pré-eleitoral, decidiu atropelar tudo e todos. E ressuscitou a Lei do Gérson, com o aval direto de gente influente que circula pelos corredores do Buriti. No afã de encher seus cofres, a estatal golpeou a comunidade, que está sendo obrigada a engolir a seco as quadras 19 e 20, criadas quase às escondidas, com o famoso jeitinho brasileiro.
A nova área habitacional, que surge num momento de crise financeira extrema, com o duvidoso retorno financeiro na licitação, já que poucos abastados possuiriam recursos para adquirirem os lotes que deverão ir a leilão no empreendimento, chamou a atenção do Ministério Público do Distrito Federal.
Júlio César, segundo ex-diretor da Terracap, estaria atropelando a legislação. Foto/Arquivo Notibras
 Para dar andamento ao “negócio”, a Terracap está contratando uma empresa para elaboração de Relatório de Impacto de Vizinhança – RIVI e Projetos Executivos de Drenagem Pluvial e de Pavimentação do empreendimento denominado de Quadras 19 e 20, conforme Edital de Tomada de Preço 01/2017-Terracap.
O tema vem sendo tratado com todo zelo, já que a criação da nova área habitacional é do conhecimento de poucas cabeças laureadas e a divulgação do tema junto aos moradores é tido como temerário.
A razão desse medo é a falência dos serviços públicos em todo o Distrito Federal, em especial em Sobradinho, onde há carência de policiais militares. Tanto, que das duas Delegacias de Polícia, somente uma atende 24 horas. A isso deve somar-se a grave crise na saúde, que conforme Notibras publicou nesta semana, até as salas de vacinação dos postos de saúde acabam de ser fechadas.
Os articuladores do Palácio do Buriti também temem que com a divulgação do projeto, o Governa perca apoio dentro da Câmara Legislativa. Isso porque, como a criação dessas quadras é rejeitada por toda população de Sobradinho, os deputados distritais da base (formal e informal) governista, estarão obrigados a abandonar Rollemberg, sob o risco de perderem apoio popular exatamente no ano em que os políticos mais precisam se aproximar dos seus eleitores.
No Legislativo local, os comentários são de que algumas vozes começam a ser levantadas. Entre esses parlamentares estariam Ricardo Vale, Chico Leite, Joe Vale, Chico Vigilante, Lira, Juarezão, Luzia de Paula, Israel Batista e o próprio líder do Governo Agaciel Maia.
A opinião é a de que a expansão de Sobradinho, com a criação das novas quadras, sem a ampliação da infraestrutura de segurança, saúde e educação, criará uma forte resistência da parte dos moradores. Há o temor da explosão do índice de da criminalidade, hoje já em níveis assustadores.
Na Terracap, ainda segundo esse mesmo ex-diretor, a ideia é adotar a teoria do fato consumado, ou seja, depois que toda a área estiver já urbanizada, com os lotes delimitados e as ruas abertas, é que a população tomará conhecimento oficialmente das novas quadras. Quando esse momento chegar nada mais poderá ser feito. E a Terracap, às custas do sossego da comunidade, poderá recompor seu capital ou investir em outra proposta megalomaníaca qualquer.
De “lambuja” continuará pagando altos salários a seus diretores. E o empreendimento, depois de instalado, quando Silvio Santos perguntar ‘Quem quer dinheiro?’, a Terracap responderá: eu.

(*) Fonte: José Seabra - Notibras

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