Microcrédito impulsiona autonomia de mulheres agricultoras no DF
Microcrédito impulsiona autonomia de mulheres agricultoras no DF
Agricultora de Sobradinho usa financiamento para instalar sistema de irrigação e expandir produção orgânica, em iniciativa que beneficia majoritariamente mulheres rurais.
Microcrédito vira água e esperança na horta de Maria Conceição (Foto: Arquivo Pessoal)
Maria do Socorro Conceição Silva, de 50 anos, agricultora na comunidade rural Renascer Palmares, em Sobradinho, no Distrito Federal, transformou seu sonho de se tornar produtora de orgânicos em realidade graças ao Microcrédito Produtivo Orientado (MPO), programa do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
Morando com três filhos em uma chácara de um hectare,
Maria começou cultivando frutas e legumes para consumo familiar, mas notou o
potencial de comercialização do excedente. Inicialmente, regava a horta
manualmente, carregando baldes, o que limitava sua produção. “Eu plantava e via
que o que eu produzia dava muito. Por exemplo, eu não consumia a mandioca toda,
acabava estragando. Foi quando percebi que dava para comercializar”, relata.
Em março de 2025, durante uma reunião organizada pela
Associação dos Produtores Agroecológicos da Comunidade que Sustenta o
Extrativismo Renascer Palmares (CSE Repal), Maria soube do programa, em
parceria com a Caixa Econômica Federal, a agência de microfinanças Cactvs e a
Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). Após avaliações,
ela obteve um contrato de R$ 12 mil, que investiu na construção de um sistema
de irrigação, incluindo canos, bombas, telas e insumos para adubação, interligado
a um poço artesiano.
Dois meses depois, seu filho Yan Lemos Silva, de 25 anos,
também contratou microcrédito no mesmo valor, instalando um painel para
automatizar o sistema, com programação de horários e volumes de água. O projeto
foi concluído recentemente, otimizando o cultivo e reduzindo o trabalho manual.
“O difícil é começar. Depois que você começa, você consegue. O empréstimo não é
um bicho de sete cabeças, é uma luzinha que vem lá do fundo do poço”, afirma
Maria.
O programa tem priorizado mulheres: dos 2.722 contratos
assinados desde março de 2025, 58% foram para agricultoras familiares,
mobilizando R$ 35,45 milhões do Fundo Constitucional de Financiamento do
Centro-Oeste (FCO). Desses, 79% destinam-se à pecuária e 21% à agricultura.
A articulação comunitária foi essencial. Rita de Cássia
Borges Corrêa, secretária-geral da CSE Repal e vice-coordenadora do Polo de
Agricultura Irrigada do DF, mobilizou os agentes para reuniões na comunidade e
em assentamentos vizinhos, como Três Conquistas e Roseli Nunes. Com 102
famílias no Renascer Palmares, o impacto já é visível. “Você vê mudanças
acontecendo dentro da comunidade. O pessoal está produzindo, está mais seguro,
mais confiante. Principalmente as mulheres, que foram a maioria que acessaram”,
diz Rita.
Além de gerar renda, o microcrédito auxilia na
regularização fundiária, fornecendo documentação de produção exigida pelo
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Para Rita, o
programa promove não só autonomia financeira, mas também identidade e liberdade
para investimentos adaptados à realidade rural. “Se eu tivesse que definir o
microcrédito em uma palavra, seria autonomia financeira e liberdade”, conclui.
Fonte:
Jornal de Brasília, Foto: Arquivo Pessoal








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