MPDFT instaura inquérito para investigar falhas da Neoenergia no DF
MPDFT instaura inquérito para investigar falhas da Neoenergia no DF
A promotoria apura interrupções frequentes no fornecimento de energia e cobra plano de manutenção preventiva da concessionária
A Promotoria
de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) do Ministério Público do Distrito
Federal e Territórios (MPDFT) instaurou inquérito civil para investigar a
regularidade, continuidade e eficiência na prestação do serviço de energia
elétrica pela concessionária Neoenergia, além de eventuais danos materiais e
morais coletivos aos consumidores.
A medida foi
adotada no final do ano passado, com base em múltiplas reclamações de
consumidores sobre interrupções constantes no fornecimento de energia entre
2022 e 2025, muitas vezes semanais ou diárias, agravadas em períodos de chuva.
Durante a
apuração, o MPDFT requisitou informações à Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel) sobre dados regulatórios e à Neoenergia quanto ao monitoramento e
indicadores de qualidade. A concessionária informou que investiu em
equipamentos e inspeções e atribuiu parte das falhas à interferência de
vegetação na rede elétrica.
Nesta
quarta-feira, 11 de fevereiro, está prevista uma reunião entre a Prodecon e a
Neoenergia para discutir o planejamento estratégico de manutenção preventiva da
rede, incluindo podas de árvores e outras medidas para reduzir interrupções em
residências, comércios e atividades produtivas.
O MPDFT
busca inicialmente uma solução consensual por meio de Termo de Ajustamento de
Conduta (TAC), que prevê indenização de R$ 86 milhões por danos morais
coletivos, a ser revertida ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD). O
acordo também incluiria a apresentação de um projeto executivo para melhoria
dos serviços e um plano de manutenção preventiva, com o objetivo de reduzir a
incidência de falhas. Caso não haja acordo, o MPDFT poderá adotar medidas
judiciais, como Ação Civil Pública (ACP).
Análises
técnicas preliminares do MPDFT identificaram cenários graves em áreas como o
PAD-Jardim e o Vale do Amanhecer, em Planaltina, consideradas de risco crítico.
Também foram observadas falhas persistentes nas regiões de Contagem (Grande
Colorado/Sobradinho) e Paranoá, de risco alto, além de problemas no Mangueiral.
De acordo
com o diagnóstico, as medidas de manutenção preventiva adotadas até 2024 foram
insuficientes para garantir a qualidade da rede diante de novas demandas ou
eventos climáticos adversos. A rede não possui a resiliência necessária, com
estratégias de manutenção meramente reativas, operando próxima ou acima de sua
capacidade nominal, o que a torna mais suscetível a falhas.
Os dados de
2022 a 2025 revelam uma piora nos indicadores da concessionária, com
consolidação de ‘zonas de sacrifício’ em que o serviço é prestado em regime de
calamidade contínua. A análise afasta teses de ‘caso fortuito’ ou ‘força
maior’, especialmente quanto a fenômenos naturais, destacando que a
concessionária conhece as necessidades de ações preventivas e investimentos.
*
Fonte: Redação Jornal de Brasília, Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil, com informações do MPDFT







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