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Ressaca pós-Carnaval: o que acontece no corpo e como se recuperar com segurança

 Ressaca pós-Carnaval: o que acontece no corpo e como se recuperar com segurança

No pós-Carnaval, a principal dica é ouvir o corpo, cuidar da hidratação e entender que não existe fórmula mágica

Depois da maratona de blocos, festas e noites regadas a bebida alcoólica, muita gente encara o “dia seguinte” com dor de cabeça, sede intensa, náusea e um cansaço fora do normal. A chamada ressaca — ou síndrome de pós-intoxicação por álcool — é um conjunto de sintomas que costuma surgir entre 6 e 8 horas após o consumo excessivo de álcool e pode durar até 20 horas, segundo especialistas.

O que é a ressaca e por que ela acontece?

A ressaca é resultado de uma combinação de processos inflamatórios, metabólicos e neurológicos desencadeados pelo álcool. De acordo com o neurocientista Li Li Min, professor titular e chefe do Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas, o quadro envolve distúrbios psicofisiológicos que variam de pessoa para pessoa.

Entre os sintomas mais comuns estão:

·         mal-estar geral e fadiga;

·         dor de cabeça;

·         boca seca e sede intensa;

·         náusea e desconforto abdominal;

·         falta de apetite;

·         dificuldade de concentração e déficit cognitivo temporário.

O papel do fígado, da desidratação e da inflamação

Segundo a nutricionista Patricia Neri Cavalcanti, do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, o etanol ingerido é transformado no fígado em acetaldeído, uma substância tóxica que contribui diretamente para o mal-estar.

Além disso, o álcool provoca desidratação, mesmo quando não é percebida. Esse processo explica sintomas como dor de cabeça, fraqueza, fadiga e boca seca. A irritação da mucosa gástrica também favorece náuseas e desconforto abdominal.

O endocrinologista e médico do esporte Clayton Macedo, do Hospital Israelita Albert Einstein, acrescenta que a ressaca costuma aparecer quando o nível de álcool no sangue já caiu, mas o organismo ainda enfrenta os efeitos inflamatórios, hormonais e metabólicos da substância. O álcool inibe o hormônio antidiurético (ADH), aumentando a produção de urina e agravando a perda de líquidos.

O que fazer para aliviar a ressaca

Quando os sintomas são leves a moderados, algumas medidas simples ajudam na recuperação:

·         Hidratação constante: beber bastante água ao longo do dia. Água de coco e soro de reidratação oral também ajudam a repor eletrólitos.

·         Alimentação leve: frutas, caldos, sopas e alimentos de fácil digestão auxiliam na recuperação.

·         Descanso: dormir bem e respeitar os limites do corpo é fundamental.

·         Paciência: o organismo precisa de tempo para eliminar os subprodutos do álcool.

O que evitar

Alguns hábitos comuns podem piorar o quadro:

·         recorrer a “remédios milagrosos” sem comprovação;

·         tomar anti-inflamatórios com o estômago vazio, o que pode causar gastrite ou sangramentos;

·         beber mais álcool para “curar” a ressaca;

·         usar medicamentos sem orientação profissional.

Quando a ressaca vira sinal de alerta

A diferença entre uma ressaca comum e um quadro mais grave está na intensidade e persistência dos sintomas. Procure atendimento médico imediato se houver:

·         vômitos persistentes;

·         confusão mental ou desmaios;

·         sonolência excessiva ou dificuldade para acordar;

·         respiração lenta ou irregular;

·         pele fria ou arroxeada;

·         convulsões.

Esses sinais podem indicar intoxicação alcoólica, uma emergência médica com risco de coma e morte se não houver intervenção rápida.

Consciência também faz parte da festa

Para a analista administrativa Ieda Soares, que se prepara todos os anos para curtir a folia, a prevenção começa antes mesmo do primeiro gole. “A primeira coisa que eu penso é na hidratação. Sempre sigo a orientação de me alimentar bem e intercalar bebida com água. Eu amo o Carnaval, mas o mais importante é aproveitar com responsabilidade e fazer boas amizades.”

No pós-Carnaval, a principal dica é ouvir o corpo, cuidar da hidratação e entender que não existe fórmula mágica: moderação, descanso e água continuam sendo os melhores aliados contra a ressaca.

 

Fonte: Delmo Menezes do AgendaCapital

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