Restaurantes Comunitários ampliam acesso à alimentação no DF
Restaurantes Comunitários ampliam acesso à alimentação no DF
Unidades atendem população em vulnerabilidade e se tornaram parte da rotina de moradores do Sol Nascente nos últimos anos
Os
restaurantes comunitários se consolidaram como ponto de apoio diário para quem
precisa garantir as principais refeições do dia, como a dona de casa Maurícia
Barbosa Nascimento, de 41 anos, que sempre almoça na unidade do Sol Nascente
com a neta. Antes em situação de rua e hoje com um teto para chamar de seu, por
meio do programa Morar Bem, implementado pelo Governo do Distrito Federal
(GDF), ela relembra o período difícil e associa a mudança de vida ao acesso à
moradia e à alimentação.
“Tinha dia que a gente nem comia. Hoje a gente pode ter o prazer, o orgulho de dizer assim: vou levantar e tomar um café. Eu sou muito grata, porque em nenhum outro lugar você acha uma refeição dessa por esse preço. É quase grátis, você não compra nem uma balinha com 50 centavos. Aqui você toma café da manhã com fruta, café, um pãozinho com queijo, é uma maravilha, eu só tenho a agradecer. Eu ganhei até uns quilinhos”, contou, com bom humor. A neta de 8 anos, Sophia Sousa Nascimento, também elogia a comida do restaurante e tem até seu prato favorito: strogonoff. “A comida é muito boa, a gente sai satisfeito daqui”, completou.

O
Distrito Federal tem 17 restaurantes comunitários em funcionamento; cada um
deles serve, por dia, uma média de 2,7 mil refeições - Fotos: Joel
Rodrigues/Agência Brasília
A unidade
integra a rede de 17 restaurantes em funcionamento no Distrito Federal, que
servem, por dia, uma média de 2,7 mil refeições cada. Apenas em janeiro foram
mais de 1,4 milhão de refeições e, em 2025, o total chegou a 16,9 milhões,
sendo 1,9 milhão destinado à população em situação de rua. O investimento anual
do GDF na rede é em torno de R$ 96 milhões.
A refeição,
que chegou a custar R$ 3 em 2015 e R$ 2 em 2016, hoje é oferecida ao preço de
R$ 1. Outro avanço foi a ampliação do cardápio e do atendimento dos espaços.
Atualmente, 13 restaurantes comunitários funcionam de domingo a domingo,
incluindo feriados, com a oferta de café da manhã e jantar pelo valor de R$
0,50 cada. Nessas unidades, a população tem acesso a três refeições pelo total
de apenas R$ 2.
Atualmente,
o café da manhã, o almoço e o jantar são servidos em Arniqueira, Brazlândia,
Gama, Itapoã, Recanto das Emas, Riacho Fundo II, Samambaia (Rorizão), Santa
Maria, Sobradinho, Sol Nascente/Pôr do Sol e Varjão. Os espaços Ceilândia (DJ
Jamaika), Estrutural e Sol Nascente servem café da manhã e almoço. Os cardápios
podem ser acessados neste site.
A dona de
casa Maurícia Barbosa Nascimento sempre almoça no Restaurante Comunitário do
Sol Nascente: "Eu sou muito grata, porque em nenhum outro lugar você acha
uma refeição dessa por esse preço. É quase grátis"
Desde 2019,
foram inaugurados quatro restaurantes comunitários, localizados em Samambaia
Expansão, Sol Nascente/Pôr do Sol, Arniqueira e Varjão. Outros espaços foram
reformados com o objetivo de aprimorar a estrutura e melhor receber a
população, com reparos executados nas unidades de Sobradinho, Gama, Paranoá,
Santa Maria, Samambaia e Planaltina. Atualmente, os serviços estão em andamento
no equipamento da Estrutural.
A secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, declarou que o combate à fome é uma prioridade do GDF, apontando a redução dos valores das refeições, a inauguração e ampliação de unidades, além das reformas, como ações práticas de atenção ao tema. “Todo esse empenho foi premiado com o primeiro lugar nacional do Selo Betinho de ações de combate à fome, que é o reconhecimento de trabalho e investimento consistentes para os que mais precisam", destacou.
Ao
lado do esposo, Telma Moreira da Silva frequenta regularmente a unidade do Sol
Nascente: "A comida é boa, feita por nutricionistas, saudável, leve, com
um preço bom e acessível"
Mudança
de verdade
Na visão da
comunidade, a mudança é prática, com as refeições principais garantidas: mesmo
com o bolso vazio, o estômago estará cheio. O pedreiro José Estácio Filho, 55,
frequenta o Restaurante Comunitário do Sol Nascente todos os dias desde que a
unidade foi inaugurada na região, há três anos. Ele conta que o espaço faz
parte da sobrevivência dele e de outros moradores da cidade. “Funciona de
domingo a domingo, tem café da manhã, almoço e jantar. O atendimento é
maravilhoso, uma atenção completa para a gente. E a comida é uma delícia”,
destacou.
A esposa de
José, Telma Moreira da Silva, 46, observa a mudança de realidade de quem chega
ao local, muitas vezes sem ter o que comer em casa. Para a dona de casa, o
restaurante representa uma alternativa segura e acessível. “A comida é boa,
feita por nutricionistas, saudável, leve, com um preço bom e acessível. Tanta
gente que não tem o que comer vem aqui, come e sai satisfeita”, observou.
Morando há
um ano na região após receber habitação pelo programa do GDF Morar Bem, a dona
de casa Jacqueline de Santana Ribeira, 48, passou a incluir o restaurante na
rotina da família. Ela diz que a refeição ajuda a equilibrar o orçamento: “A
maioria dos dias a gente vem almoçar aqui, porque além de ser uma refeição
completa, é econômico. Tomamos café da manhã, almoçamos e ainda levo marmita.
Alimenta toda a família com qualidade”.
Jacqueline
de Santana Ribeira, dona de casa: "A maioria dos dias a gente vem almoçar
aqui, porque além de ser uma refeição completa, é econômico"
Atenção
aos mais vulneráveis
Mesmo para
aqueles que não conseguem pagar os R$ 2 que englobam as três refeições, há um
cadastro que atende aqueles em vulnerabilidade social. Com o objetivo de
alcançar ainda mais pessoas, durante a pandemia de 2020 o governo garantiu o
direito à alimentação sem custo nas unidades para a população em situação de
rua. O número de refeições servidas a esse público subiu de 200 mil em 2021
para 1,2 milhão em 2024. Até abril de 2025 foram servidas mais de 550 mil
refeições para pessoas em situação de rua. Hoje, as pessoas em vulnerabilidade
social podem ter acesso a qualquer uma das refeições disponíveis nos
restaurantes comunitários de forma gratuita.
Em 2025, os
18 restaurantes comunitários ofereceram mais de 17 milhões de refeições — cerca
de 3 milhões a mais que no ano passado e mais que o dobro do total registrado
em 2019. Em 2024, foram ofertadas 14 milhões de refeições, enquanto em 2019
foram 6,55 milhões de pratos. Todos os equipamentos estão sob gestão da
Subsecretaria de Segurança Alimentar e Nutricional (Subsan).
Líder
comunitário e gerente da unidade do Sol Nascente, Márcio Oliveira acompanha o
funcionamento do espaço e o perfil das famílias atendidas. Ele afirma que o
restaurante é parte essencial da rede de proteção social na região: “É uma
ferramenta nesse sentido, eu classifico ele até como a vida da população,
porque se você não se alimenta, você não tem vida, não tem saúde. Esse
equipamento trouxe o direito à alimentação nesses três anos de existência e a
gente, como liderança comunitária, percebe isso no dia a dia das famílias. A
população está mais feliz, com mais gratidão. É uma política pública muito
essencial para as periferias do Distrito Federal”.
Fonte:
Jak Spies e Catarina Loiola, da Agência Brasília , Edição: Carolina Caraballo










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