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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

EDUCAÇÃO: ESCOLA PARTICULAR EM SOBRADINHO DESENVOLVE PARCERIA COM ALUNOS PARA DESCONECTAR O CELULAR EM SALAS DE AULA. É O "BE OFF " DENTRO DO IESE.- INSTITUTO EDUCACIONAL SANTO ELIAS







*Junior Nobre

Poderíamos começar esse texto fazendo uma brincadeira com a analogia traduzida do inglês BE OFF; está fora, está desligado. Bom, acho que tem um pouco haver até pelo simples fato de que essa é uma iniciativa sem imposição da linha de comando da escola em desconectar o celular em sala de aula. Be Off brotou dos ávidos alunos do 3º ano do colégio IESE que encamparam junto com os professores e a direção esse novo desafio.

Hoje em dia, ter um celular não é apenas um privilégio de adultos. Crianças e adolescentes já carregam seus celulares para cima e para baixo e são um público exigente. Querem equipamentos modernos e acessórios diversificados.

No IESE, mais de 90% dos estudantes do Ensino Fundamental e Ensino Médio possuem aparelhos de celular. Um dos grandes problemas desses aparelhos nas mãos das crianças e jovens é a distração em sala de aula. O acesso fácil à internet e a jogos é uma tentação para os estudantes e um desafio para os professores.

Para orientar os alunos sobre a importância de deixar o celular desligado e dentro da mochila durante as aulas, o Grupo BE OFF representado por colegas que são também alunos do 3º ano tem realizado durante todo o mês de agosto, uma campanha de conscientização em toda a escola com apresentações, folders, bótons, adesivos e materiais informativos que fazem parte dessa campanha.

Durante uma apresentação ocorrida nas dependências da escola, jovens alunos de várias séries encenaram uma daquelas “aulas”, onde o celular dispara um alerta sonoro muito conhecido entre os jovens. Chegou mensagem de texto. O professor olha aborrecido para o dono do aparelho e pede que ele o desligue imediatamente. O estudante ainda tenta ler as letras que aparecem na pequena tela, mas é novamente censurado pelo professor: não há nada que incomode mais o mestre do que celular em sala de aula.

Essa pode ser uma cena muito comum na maior parte das escolas brasileiras, onde o uso do aparelho celular é “proibido durante as aulas”. Mas a imagem parece que vai mudar. Os alunos do IESE querem assumir de vez o compromisso em manter seus telefones desligados e participarem mais das aulas e nos intervalos de momentos interativos. Segundo eles mesmos, acreditam que hoje existe um distanciamento pessoal em função das facilidades virtuais encontradas.  Falta mais olho no olho, conversa e outras atividades. É importante que o caderno e a caneta não possa ceder lugar a um ambiente virtual totalmente conectado a um dispositivo móvel que os alunos tem em mãos. A mudança na mentalidade dos alunos do IESE é certa; o prazo, já está em vigor independentemente de leis aprovadas para coibir o uso do celular em sala de aula.


(*) LEI QUE PROÍBE USO DO CELULAR NA SALA DE AULA

Lei Nº 4.131/2008, do Distrito Federal.

A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou, em maio de 2008, uma lei que proíbe alunos de usar celulares e aparelhos eletrônicos como MP3 players e videogames em escolas públicas e privadas da Educação Básica. Está liberada a utilização nos intervalos e horários de recreio, fora da sala de aula, cabendo ao professor encaminhar à direção o aluno que descumprir a regra. O projeto de lei que originou a norma diz que o uso do telefone pode desviar a atenção dos alunos, possibilitar fraudes durante as avaliações e provocar conflitos entre professores e alunos e alunos entre si, influenciando o rendimento escolar. Se por um lado, a tecnologia serve de apoio às ações educacionais, por outro o seu uso exacerbado se torna um empecilho. Há diferenças entre a discussão das formas e dos modos de fazer uso de tecnologias em espaços coletivos e sua exclusão. A escola tem o dever de humanizar e educar cidadãos, posicionando-se por vezes no fio da navalha entre exercer a autoridade e ser autoritária. Não é imprescindível criar uma lei para disciplinar o uso desses aparelhos nas escolas, pois as determinações sobre essa questão podem constar do regimento interno e do projeto político-pedagógico.

ENTREVISTANDO ORGANIZADORES E A DIREÇÃO:

JS - Como surgiu a ideia?


Prof.ª Suzanna / Literatura e Redação e umas das idealizadoras do projeto – O Be Off surgiu basicamente em conselho de classe, é aquele momento em que reunimos pra ver as notas e todos começaram a reclamar sobre o uso excessivo do celular em sala de aula, daí um dos nossos professores, o Luciano - professor de geografia, tinha que fazer uma campanha educativa ou proibir, só que não estava resolvendo, pensamos a partir daí em alternativas e propomos pros meninos uma campanha educativa relativa ao uso do celular. Quando eu entrei em sala de aula e comecei a falar com os meninos sobre isso, eles gostaram da ideia. A gente primeiro quis mostrar pra eles como estão totalmente dependentes do celular, então a gente realizou várias representações, eu os imitei em sala, uma coisa meio teatral, olha como vocês estão no intervalo: aí eu os imitava, senti que eles ficaram constrangidos de verem como realmente eles estão viciados em celular, eles se empolgaram com o projeto e delegamos responsabilidades a eles de levar o projeto ao terceiro ano do ensino médio, pois são os que mais usam os celulares em sala de aula.  Então eles abraçaram a causa, criaram o nome, logotipo e o slogan e abraçaram mesmo essa causa, e é por isso que eu tenho a esperança que pode dar certo.

JS- Como está a dispersão em conselho de classe?

Prof.ª Suzanna: Em conselho de classe viram a necessidade de fazer algo, pois as notas estavam caindo, os meninos dispersos em sala, você chama a atenção deles várias vezes e eles retomam o celular em sala, mesmo a gente chamando a atenção, já está num nível de esquizofrenia “guarda o celular, não estou mexendo no celular não professora”.

JS- Mas nada era proibitivo?

Prof.ª Suzanna: Nada proibitivo, por exemplo: desde o dia da primeira apresentação do projeto BE OFF a gente pediu pra que ninguém viesse com celular, pois era uma manhã off, mas se alguém viesse com celular tinha alguns espiões no meio deles tirando fotos das pessoas com celular que deveriam ser publicadas na nossa página das redes sociais e ficamos felizes em não ter esse tipo de foto publicada.  Criamos uma página no facebook, a gente não quer que eles parem de usar a internet e as redes sociais, a gente só quer que eles usem no momento certo, então o nome da nossa página é “IESE conectados com moderação” eles vão estar conectados não vamos negar à tecnologia a modernidade, mas vamos usar pro bem, então é uma página na internet e um pedido pra que eles fiquem off em sala de aula.




JS - E os alunos do 3º ano, o que acham da iniciativa BE OFF?

Alunos - Nós achamos a iniciativa válida, vai render bons frutos, primeiramente porque está partindo de nós juntamente com a professora, não é nada imposto, “muitos jovens hoje em dia tem em mente que se é impositivo não vou fazer parte, eu quero ser diferente, eu quero ir contra aquilo que estão querendo me obrigar a fazer” esse é um projeto que a gente fala e temos consciência do que está acontecendo dentro da sala de aula; sabemos que existem alguns colegas que estão mexendo nos celulares às vezes por falta de autocontrole” agora não, a gente tendo esse incentivo da escola, e um colega incentivando e orientado o outro o rendimento nos conteúdo e notas finais serão diferentes.

JS- E quando o pai quiser monitorar vocês, pra saber se estão em salas de aula, como que vocês vão lidar com isso?

Alunos - A direção tem um projeto de conversar com os pais pra ter essa conscientização, porque os pais já disponibilizam do número do telefone da escola e do número de alguns dos funcionários, se quiserem falar com a gente e o assunto for urgente, fala com os funcionários ou liga para escola.  A gente pensou nessa parte dos pais serem conscientes, pois tem muitos colegas que falam que é o pai que está ligando, daí o professor vai falar o que?  Que não pode atender?  Uns usam essa desculpa pra mexerem também em outras coisas como redes sociais, a partir da conscientização dos pais com o aluno do IESE será uma verdadeira troca; um ajuda o outro e a união faz a força.

JS- O que vocês querem fazer além do projeto BE OFF de dar um tempo com os celulares em salas de aula, algum programa diferenciado para interagir com os colegas? Alguma brincadeira ou algum projeto de reuniões extraclasses?

Alunos - Sim a partir de hoje na hora do intervalo até o meio vão ter várias atividades; a gente vai brincar com as crianças, aquelas brincadeiras de pequeno, jogar ping-pong, jogar bola na quadra, pular corda, reuniões sadias, por exemplo: bateu o horário ao invés de ir mexer no celular, vamos marcar de nos encontrarmos, se vê mais, enfim, encontrar e se reunir e reaproximar as pessoas, pois o celular é uma barreira, uma pessoa vê você com o celular na mão vai se aproximar mais não vai poder conversar com você, então é isso, queremos aproximar as relações, conversar, brincar e interagir.


JS- Qual o nome de vocês e o que gostariam de dizer sobre o BE OFF?

Alunos: Luiz, Diego, Flávio e Igor – gostaríamos também de falar que foi uma iniciativa muito boa da professora Suzana, pois a gente tem a consciência de que os alunos estão usando muito celular em sala de aula, só que ela expôs pra gente através de sua encenação teatral o quão ridículo é essa situação e a tamanha falta de respeito com o professor e com os colegas também, e achamos que foi isso fez com que ela ganhasse nosso apoio nessa campanha, é realmente uma situação ridícula, achamos que agente não precisa suprir a falta de celular mais voltar à normalidade porque não é normal cada um sair para o intervalo e se isolar, isolar no meio de todo mundo só que sem trocar nenhum tipo de conversa pessoalmente, agente tem que voltar para a normalidade.



“Eu também gostaria de dividir com outras escolas que é possível desde que parta deles, porque a imposição nunca resolveu nada, eu mesmo no início do conselho de classe disse: vamos colocar detectores de metal nas portas, vamos perseguir e fazer caça as bruxas e alguns professores concordaram comigo mais graças a Deus houve luz aonde um professor falou, não é assim, é campanha educativa que vai resolver e eu concordo com o que os alunos disseram; A gente não teria o apoio deles se fosse algo forçado. Eles pagaram pelas nossas camisetas, eles estão acreditando na causa, eles trabalharam duros, então, quando agente envolve toda a comunidade escolar e quando os professores acreditam em uma causa o projeto só pode dar certo!” - Declara professora Suzana / Literatura e redação IESE.


DEPOIMENTO

Uma só manhã pode ser o resultado de trabalho dedicado e bem-intencionado, e esse foi o panorama do movimento que nós, alunos do terceiro ano do Santo Elias, desenvolvemos com boa vontade e sorrisos esporádicos.

A campanha intitulada “Be Off” consiste em despertar a consciência de alunos sobre uso de aparelhos eletrônicos em sala de aula; mas, além disso, avalia sobre o “vício”, principalmente em celulares, que é muito comum dentro da sociedade contemporânea, com força maior entre jovens estudantes.

Algumas horas ensolaradas e com ânimos impulsionados de uma sexta-feira foram tomadas de energia contagiante e arrebatadora, projetada em apresentações teatrais, musicais, e todas as outras coisas que uma manhã festiva pode encaixar em seu espaço. Tudo isso trabalhado e metalizado por nós e pela professora Suzanna, idealizadora do projeto.

Foi uma imensa satisfação trabalhar junto com ela e ter o apoio da instituição, uma vez que é de interesse coletivo e traz boa recordação aos que seguirão esse fim de ensino médio.

(*) Matheus Maciel Silva do 3º ano - IESE



“Tínhamos que começar urgente uma ação de conscientização, porque os nossos alunos cada vez mais, vêm com esses telefones celulares sofisticados. Nós tínhamos até pensado em detectores de metal e toda aquela segurança implícita, então, nós partimos para essa busca conjunta no objetivo de que possa sair do próprio aluno essa necessidade de deixar de lado um pouco essas tecnologias e focar naquilo que o professor está falando para poder compreender e aprender melhor. Também tem a questão dos relacionamentos, agente vê na hora do intervalo que cada um pega seu celular entra na frente do outro e manda mensagens, e vão virando ilhas. Eles mesmos já se conscientizaram disso; então surgiu a ideia de realizar um projeto para que agente possa começar a semear essa consciência e os alunos das duas turmas do 3º ano estão empoladíssimos”. Declara a diretora do IESE, Irmã Vanilda.

JS - E o que a direção acha desse projeto? Pretende dar sequência?

“Nossa, eu acho que é uma sementinha que o terceiro ano deixa na escola e que vai frutificar”. Tenho certeza que toda a escola olha nesse momento para o terceiro ano, todo mundo quer ser daquele jeito ali, então, eu penso que com uma ideia dessas e uma iniciativa de conscientização iremos mobilizar toda escola e os meninos vão continuar aqui sempre como aqueles mentores dessa ideia interessante. Sim pretendemos dar sequência...



Por Junior Nobre/ JS e Fotos: Adriana Lima/JS

Um comentário:

Anônimo disse...

a ver*

Bom texto!