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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

ARTIGO


O AGUAR DA ÉTICA

Muitas são as definições sobre o que vem a ser Ética.

(*) Henrique Matthiesen

Uma destas argumentações é parte da Filosofia, responsável pela averiguação dos princípios que originam, distorcem, disciplinam ou norteiam a conduta humana, ajuizando a respeito do cerne das normas, valores, prescrições e exortações em qualquer realidade, ou o conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade.

No Brasil, a ética em voga está correlacionada à desestruturação do regime político apodrecido e mofado que hipocritamente se combate com condutas delinquentes e antiéticas, uma vez que o sistema político é irrigado de nossa própria sociedade despolitizada e muitas das vezes, imoral.

Seja lá qual a melhor síntese do que venha a ser o conceito ético de cada um, há um fato irrefutável. Esse preceito necessita ser aguado e exercido de forma a não enfraquecê-la.

Ética é como uma planta frágil, se não adubá-la ou cuidá-la ela perde a sua vitalidade. A ética é uma escolha individual que cada ser pratica segundo seu entendimento, ou sua tolerância.

Em países mais civilizados do mundo, a ética está umbilicalmente ligada à educação, ou ao modo de vida que determinadas sociedades coexistem. Na Suíça, por exemplo, não é que o governo é probo ou ético é que lá a sociedade em seu todo pratica valores determinantes de intolerância contra a quebra das regras de conduta, o povo pratica cotidianamente a ética, fortalecendo-a e oxigenando-a, e está enraizada em sua cultura.

Dentre esse universo há alguns aspectos da ética que muitos os confundem, como no caso de seu derivado que é a etiqueta, um dos pressupostos essenciais da ética.

Etiqueta como conjugam alguns que buscam no refinamento de saber se portar em uma mesa, ou mesmo discípulos de Gloria Kalil na busca de ser elegante ou chique, não ponderam alguns alicerces do que venha ser etiqueta na derivação da ética.

Essência da etiqueta está na convivência social, e a consciência de que, mais do que um atributo da antiga nobreza à civilidade e ao cavalheirismo são capitais para vivência humana.

Por favor, com licença, desculpe-me, e obrigado são preceitos essenciais de civilidade, que pouco são exercidos em nosso meio. Estes códigos reconhecem que há algo ou alguém além de mim, e, portanto, necessitam de uma conduta ética nesta relação.

Respeitar o mundo ao redor é sermos parte da humanidade, isso significa renunciar a imbecilidade, ao primitivismo, ou seja, é ceder lugar ao mais necessitado e falar baixo para não invadir a privacidade de outrem, não transformar seu carro numa arma, e agir honestamente em seu trabalho, e gerar gentileza.

Vivenciamos uma era de grosserias, vulgaridade e desonestidade, numa crise valorativa profunda onde a etiqueta como componente da ética sofre ataques vulgares.

Atrás da grosseria esconde-se um duplo defeito, um deles é de ter medo do mundo e dele se defender com as patas da bestialidade erguidas, ou ter dificuldade em compartilhar a alegria do convívio, pois coexiste mesmo em meio às multidões, isoladamente em seus temores.

Outro aspecto do bestializado é seu egocentrismo e seu patológico complexo de Zeus, onde se julga o Deus do Olímpio olvidando-se da existência social.

Por isso é necessário educar e combater a vulgaridade e a bestialidade, afinal não é ético ser um lorde inglês com os “poderosos” e um boçal com os menos favorecidos.

Se não aguarmos as práticas civilizatórias caminharemos sim para o primitivismo da existência.

(*) Fonte: Henrique Matthiesen (foto)Bacharel em Direito em colaboração para o Jornal de Sobradinho

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