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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

ARTIGO


ESTAMOS PASSANDO PELA CRISÁLIDA

 

(*) Henrique Matthiesen

 

Cunhado pelo latim como “chrysaliis”, o crisálida é o estágio de pupa, que é o aprendizado intermediário entre a larva e o adulto no desenvolvimento de certos insetos que passam por metamorfose completa. Inúmeras espécies produzem um casulo que protege a pupa durante o seu pleno progresso.

Os biólogos, com especialização em entomologistas, dedicam-se em estudar essa parte da zoologia que trata da relação dos insetos com o meio ambiente.

As borboletas, em especial, que passam por esse estágio de crisálida; em muitas espécies é o único onde elas pouco se movem ou não fazem absolutamente nada. Entretanto, algumas borboletas são capazes de mover seus abdominais para produzir sons que possam afugentar potenciais predadores.

Ressalta-se que a crisálida deriva da expressão crise e, quanto maior a crisálida metamórfica maior fica as asas das borboletas, ou seja, quanto maior a crise, mais bela e forte, e mais alto voam as borboletas.

Há uma intrínseca relação desta metamorfose da crisálida com a espécie humana. A história da humanidade é uma interrupta crisálida, algumas mais densas, outras mais suaves.

A metamorfose nos insetos é feita por etapas intermediárias, entre o ovo e o adulto. A eclosão, o que liberta para sua jornada, conforme sua crisálida determinará se seu voo será alto ou baixo.

Na espécie humana, a metamorfose, no sentido figurado, verificamos o forjamento do caráter, dos seus valores, e de seus princípios.

Constatamos contemporaneamente que esse processo de crisálida em que passa a espécie humana tem gerado distorções e eclosões de conceitos torpes na humanidade.

As crises vivenciadas no mundo hoje têm em sua gênese o fundamentalismo do egocentrismo, de um ambiente contaminado por aspirações de ódio, intolerância, e apartheid.

Diferentemente das borboletas que reverenciam a primavera e contribuem para os novos floresceres, a espécie humana mergulha no mais denso inverno de escuridões, e autodestruição.

Metamorfosicamente não estamos evoluindo, mas regredindo a tempos primitivos, onde não coexistimos mais com as diferenças, seja elas, religiosas, sexuais, sociais.

Vivenciar o autoextermínio dos diferentes, e a objetivação de uma humanidade doente de poucos, é não compreender que a espécie humana por sua natureza é plural.

Assim como é plural a natureza, onde as espécies da mesma gênese biológica não se destroem.

Precisamos de um tempo maior de crisálida interna para ver se conseguimos maiores asas, para que possamos voar mais alto, e enxergarmos novos horizontes, de uma nova humanidade.


(*) Fonte: Henrique Matthiesen (foto) - Bacharel em Direito & Colaborador do Jornal de Sobradinho

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